Depois de duas semanas apenas se pronunciando através de notas, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, concedeu uma entrevista coletiva, no último domingo (24) para falar sobre o incêndio que matou dez jogadores da base no Ninho do Urubu.

Leia mais: Flamengo vence por 4 a 0 o Americano na Taça Rio.

Saiba como apostar no Flamengo.

Pela primeira vez encarando perguntas de jornalistas, o presidente defendeu a postura do clube em relação às famílias das vítimas, deu o motivo de não ter aceitado a proposta inicial de indenização e reforçou o entendimento de que o incêndio no CT foi uma fatalidade.

Perguntado sobre quais seriam os erros do Flamengo no cuidado com os jogadores e com a estrutura, Landim não quis apontar uma questão específica e ressaltou que o tragédia foi uma fatalidade. 

– Aconteceu. Não posso imaginar que alguém diga que o Flamengo não fez alguma coisa porque não cuidava ou não estava ligando – disse ele, sem querer responsabilizar a gestão anterior: 

– No momento em que sentei na cadeira, a responsabilidade para tocar as coisas é minha. Mas não estou deixando de contar com a colaboração de ninguém para contribuir com os esclarecimentos. 

Ao lado do vice-presidente geral e jurídico do Fla, Rodrigo Dunshee de Abranches, e do CEO Reinaldo Bellotti, Landim disse que o intuito é negociar um valor específico com cada família. No entendimento do Flamengo, o contexto de cada um dos jogadores que morreram é diferente. Sobre a indenização, o presidente esclareceu que não poderia falar muito, principalmente sobre valores: 

– Existe um aspecto importante: o processo corre em segredo. Independente disso, importante que não ficássemos falando disso pelo impacto, até pela segurança das famílias. Tem esses aspectos. O que posso dizer, que da forma com que foram vazados, é não. Não são aqueles valores que foram apresentados. Em relação ao MP, é o MP que tem que informar. 

– O que foi colocado antes do processo de mediação foi um piso de discussão, que nós entendemos que é muito acima de toda e qualquer decisão que aconteceu. O Flamengo quer equacionar com valores acima, mas que já são o dobro da jurisprudência. O que não quer dizer que, se pedirem 10 vezes, 100 vezes o valor da jurisprudência, nós iremos aceitar – disse Landim.  

Quando questionado sobre as multas da Prefeitura e sobre o Certificado de Autorização do Corpo de Bombeiros, documento pendente para o alvará, o presidente do Flamengo argumentou que a velocidade da evolução estrutural no Ninho foi maior do que a da fiscalização pública. 

– Quando foi levado para os Bombeiros, pedimos que fosse feito o licenciamento do CT 1, que era o que existia. Não tinha o 2, que começou a ser construído no fim de 2017. Todas aquelas autuações foram em relação ao CT1. Temos o registro de diversas idas aos Bombeiros. Uma série de exigências foram feitas, até que se viu que já existia um novo CT2. A orientação em 2017 era que se fizesse por partes. O licenciamento dos Bombeiros se estendeu por tanto tempo, que quando chegou o licenciamento para o CT1, já existia o CT2 – comentou Landim, ressaltando que um novo pedido de licenciamento de toda as instalações já foi protocolado junto aos Bombeiros. 

Neste momento, tanto profissionais quanto jogadores da base não estão mais usando o CT para pernoitar. Porém, mesmo diante de interdições e multas, o Flamengo segue treinando no Ninho. Landim respondeu ao fato: 

– As ações que o Flamengo tem dentro do CT estão limitadas ao campo. Ninguém está pernoitando. Qual o risco que esse tipo de atividade oferece? Eu diria que é nenhum. É por essa razão que estamos deixando o time treinar lá. Entendemos que é a própria autoridade que entende dessa forma. O Ministério Público pediu para interditar tudo, mas não existe uma decisão judicial sobre isso – rebateu o presidente.