O Flamengo é conhecido por suas glórias no futebol, esporte coletivo mais popular do mundo. No entanto, a história rubro-negra começou fora dos gramados. Na época da fundação, em 1895, o esporte favorito carioca era o remo. Portanto, antes de ganhar fama mundialmente, o Clube de Regatas do Flamengo iniciou sua trajetória com as regatas nos mares do Rio de Janeiro.

Fundação

Os bairros à beira-mar habitados naquele tempo eram Botafogo, Santa Luzia, São Cristóvão e o Caju, e todos tinham seus clubes de remadores. Do outro lado da baía, em Niterói, outros clubes também eram conhecidos. Apenas a praia do Flamengo, bem frequentada, não tinha o seu. Geralmente os rapazes de Botafogo vinham remar no Flamengo.

Entretanto, em certo momento, quatro sujeitos, sentados na mesa do café Lamas, no Largo do Machado, em setembro de 1895, se questionaram: “Por que nós não criamos um grupo de regatas do Flamengo?” Os quatro eram conhecidos como Zezé Agostinho Pereira da Cunha, Mário Spíndola, Augusto da Silveira Lopes e Nestor de Barros. Boêmios, mas também estudantes e meninos de família, eles foram os responsáveis por comprar o primeiro barco do clube.

Primeiro barco

Junto com outros amigos, que gostaram da ideia e contribuíram com a vaquinha, eles compraram uma baleeira de seis remos, a qual deram o nome de Pherusa. O escolhido foi um barco já velho, porém, adequado às finanças disponíveis. Com esse mínimo patrimônio, o Flamengo começava a ser uma realidade. Os rapazes passaram a frequentar o número 22 da praia do Flamengo, onde um deles morava e colocava o barco na garagem. Ali foi a primeira “sede” do rubro-negro.

Porém, a baleeira não durou muito tempo. Na primeira vez que colocaram ela ao mar, uma tempestade com raios, trovões e ventania deixou a Pherusa à mercê. Seis remadores foram socorridos enquanto um deles conseguiu nadar até a praia, sendo considerado o primeiro herói do Flamengo. 

Sem demonstrar medo da situação que passaram, os remadores decidiram comprar mais um barco, este de quatro remos, chamado de Scyra. A partir de então, já com uma certa fama na cidade após o incidente, o casarão 22 da praia do Flamengo começou a receber adesões, inclusive de aspirantes da Marinha.

Data

Portanto, com bastante gente já acolhida, foi realizada num domingo a assembleia de fundação do grupo, no dia 17 de novembro. Não um clube, mas, modestamente, um grupo: o Grupo de Regatas do Flamengo, dedicado aos esportes náuticos. 

Nessa reunião, os dezoito flamenguistas pioneiros elegeram a primeira diretoria: Domingos Marques de Azevedo, presidente; Francisco Lucci Colás, vice-presidente; Nestor de Barros, secretário; Felisberto Cardoso Laport, tesoureiro. Nela também anteciparam em dois dias a data oficial da fundação (para que o aniversário do Flamengo coincidisse com o da República, 15 de novembro) e escolheram as cores da bandeira e do uniforme: azul e ouro, em listras horizontais. Mas azul e ouro eram cores que desbotavam facilmente e, um ano depois, em 1896, seriam substituídas pelos definitivos vermelho e preto.

Em 1902, em sugestão do poeta Mario Perdeneiras, outra mudança no estatuto corrigiria o nome oficial do grupo, para Clube de Regatas do Flamengo – para sempre. Poucos meses depois de fundado, o Flamengo já participava de todas as competições no Rio com suas baleeiras, canoas e ioles.

Primeiro escudo

Fonte: “O vermelho e o negro” – Ruy Castro