Por Rafael Sacharny


O Flamengo terá eleições presidenciais em dezembro, uma semana depois de acabar o Campeonato Brasileiro, na segunda-feira (8). O pleito vai definir o mandatário para os anos de 2019, 2020 e 2021. Eduardo Bandeira de Mello, que esteve na cadeira de presidente por 6 anos, se despede e tenta eleger seu atual Vice-Presidente de Futebol, Ricardo Lomba. Na disputa há quatro chapas: Ricardo Lomba (chapa rosa), Rodolfo Landim (chapa roxa), candidato mais forte da oposição e correndo por fora Marcelo Vargas (chapa branca) e Carlos Peruano (chapa amarela). Confira os pontos dos principais projetos para o Mengão no próximo triênio. 

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Uma das críticas mais duras de todos da oposição é em relação à falta de cobrança e liderança da gestão EBM. Apesar de conseguir recuperar financeiramente o clube, com pagamentos de dívidas e criação de receitas altas, a antiga Chapa Azul não teve sucessos esportivos. Principalmente no departamento de futebol rubro-negro. Em seis anos, o investimento foi absurdamente acima do comum, muito maior do que os rivais cariocas, porém, as conquistas foram mínimas, apenas uma Copa do Brasil e dois Cariocas. 

Confira abaixo as propostas e as visões dos candidatos para diferentes tópicos do Mengão: 

  • Rodolfo Landim:

No Futebol, Landim tem como proposta implantar o Comitê Executivo de Futebol, um grupo restrito que vai analisar possíveis contratações e discutir estratégias, extinguindo a concentração de todo o poder em um só profissional. Ele também promete que o comando técnico do futebol será formado por profissionais já reconhecidos, com competência, histórico campeão e à altura do clube. O processo de gestão do futebol se baseará em planejamento prévio e apurado, de forma que haja a utilização correta de recursos (evitando o desperdício financeiro) tempo para uma melhor análise e para a formação do grupo de jogadores (evitando o desperdício técnico). Além de manter e a aperfeiçoar o CIM (Centro de Inteligência em Mercado), o CEP (Centro de Excelência em Performance) e o desenvolvimento da abordagem psicológica/coaching.

Para os Esportes olímpicos, Landim promete investimento com garantia de percentual mínimo da receita anual; compromisso com a formação olímpica brasileira; capacitação e apoio aos professores/formadores de atletas; aprimorar o trabalho das escolinhas; implantar estruturas dedicadas de comunicação e marketing e dar suporte aos atletas para participação em competições nacionais e internacionais. 

No Remo, a Chapa Roxa também visa o investimento com garantia de percentual mínimo da receita anual; estruturas dedicadas de comunicação e marketing; intercâmbios e captação de novas parcerias e para aprimoramento das instalações e frota; resgate da liderança perdida nos últimos seis anos no Rio de Janeiro e ser protagonista no remo brasileiro. 

Para a sede social da Gávea: Investimento com garantia de percentual mínimo da receita anual; extensão do horário de funcionamento do Clube nos finais de semana; recuperação imediata da arquibancada do Estádio José Bastos Padilha; resgate da vida social (Fla-Mulher, Baile do Vermelho e Preto e calendário de eventos) e a elaboração e implantação do Plano Diretor para a Gávea e revitalização da sede social. 

Quanto ao Marketing/Comunicação, o candidato pretende fazer a internacionalização da marca; a precificação correta para manutenção do estádio cheio; a criação das áreas de “FLA-FEST”; a reestruturação do Programa Sócio Torcedor e a ampliação do relacionamento com os sócios do Clube. 

Para mais informações, entre no plano de governo.

  • Ricardo Lomba

No Futebol, a chapa da situação pretende concluir a implantação do Plano Diretor do Futebol e da estrutura de governança do Departamento. Investir no Centro de Inteligência de Mercado, sob suporte de consultoria internacional, buscando uma maior assertividade nas contratações. E que, neste processo o CIM esteja respaldado por equipe numerosa, consistente, bem avaliada no mercado. Concluir a implantação de uma filosofia única de jogo do Flamengo, para melhor preparação e adaptação do atleta de base à equipe profissional. Aprimorar a comunicação para o associado acerca das diretrizes do futebol e metas esportivas estabelecidas. 

Nos esportes olímpicos, Lomba tem como visão todas as modalidades olímpicas do Flamengo, como Basquete, Vôlei, Natação, Polo Aquático, Nado Sincronizado, Judô, Ginástica e até a volta do Atletismo. Para o triênio, todas devem buscar cobrir suas próprias matrizes de custos, buscando as melhores práticas de sustentabilidade controlada, definindo limites de déficits orçamentários basilares para que mantenham suas capacidades e resultados desportivos sempre como prioridades, buscando parcerias e patrocínios específicos para cada modalidade ou gerais para o esporte olímpico, para que dependam cada vez menos do futebol. Além disso, pretende transformar a Sede da Gávea em um Centro de Treinamento (CT) Olímpico – um espaço de excelência para novos talentos e desenvolvimento de atletas. 

Para o Remo, a Chapa Rosa quer estabelecer um aumento contínuo no orçamento da modalidade para melhora progressiva na qualidade de barcos e flotilhas de formação e competição; concluir as obras de infraestrutura do deck da modalidade na Lagoa; Priorizar a identificação de talentos, as parcerias e ações em colégios próximos e os indicadores de talento e fluxo forçado de entrada permanente durante o ano: metas por faixa etária entre outras propostas. 

Na sede social da Gávea, o objetivo é implementar projetos com exploração comercial da sede e atingir um novo patamar de ofertas de lazer e entretenimento para associados, sócios-torcedores, torcedores e comunidade no entorno do clube. Revitalizar a sede com vários fatores importantes. 

Veja essas e outras propostas no plano de metas.

  • Marcelo Vargas

O candidato de 44 anos é advogado e promete isonomia para sócios proprietários e um inusitado comprometimento, Vargas deve pedir renúncia se não for campeão em um ano e não disputar a reeleição caso não vença a Libertadores. O candidato tem seu vice-presidente de futebol já definido, Mauro Serra, que foi diretor de futebol no tricampeonato carioca em 2001 e no último título internacional do clube, a Mercosul de 1999.

Quanto aos sócios proprietários, o candidato diz que vão estar no centro das decisões como sempre foi.  Quanto a renúncia, ele afirma que nenhum candidato está preparado como ele e se o clube não ganhar nenhum título no primeiro ano, ele estará fora. “Sou presidente de clube há seis anos, o Copa Leme Praia Clube, tenho 11 anos de vida política no Flamengo. Fui criado no Flamengo sendo campeão todo ano. Disputava duas competições, o Brasileiro e o Carioca. Mesmo assim ganhava uma ou outra quando não ganhava as duas e a Libertadores, que aconteceu em 1981. Hoje em dia, com quatro competições, ano passado disputou cinco e só ganhou o Carioca, é impossível não ganhar todo ano pelo investimento que o Flamengo tem, por toda a estrutura, por ser o Flamengo. É inadmissível. Isso não é populismo nem demagogia.’’

Uma das críticas de Marcelo Vargas é que o grupo político que está no poder demonstrou desde o início da gestão, uma restrição no poder e se fechou ao extremo. Por isso, a primeira iniciativa dele será fazer uma auditoria detalhada, em todos lados do Flamengo. Principalmente no futebol. E só poderá projetar seu governo tendo ideia da real situação financeira do clube.

No Maracanã, promete fazer um novo contrato com a concessionária. Nas últimas votações sobre o contrato, dentro do Conselho Deliberativo, do qual faz parte, o candidato votou contra os quatro anos e depois votou contra dois anos e meio, que foi aprovado. O candidato deseja um Maracanã barateado, sem um quadro móvel gigantesco, com ticket médio mais barato, com preços populares no setor norte e sem cadeiras.

Além disso, ele acredita em um projeto para o estádio na Gávea. “Temos que pegar a estrutura que já veio da Ilha para cá. Tenho informação que já vieram refletores, placar. Então temos que fazer mesmo projeto da Ilha na Gávea. Dá para jogar Carioca, jogos pequenos do Brasileiro, não tem que pedir concessão a ninguém. Um estádio para 25 mil pessoas.”

  • Carlos Peruano

José Carlos Peruano, aos 60 anos e ex-líder de torcida organizada, é mais um da oposição que faz duras críticas a quantidade de dinheiro gasto com pouco retorno e sucesso esportivo nos últimos seis anos. Para ele, os jogadores das categorias de base devem ser mais utilizados:

“O diretor executivo vai ao mercado, vê os jogadores e traz ao presidente. A nossa base é boa, temos que olhar para a base. E vamos contratar os jogadores certos. ”

Para a principal pasta do clube, por sinal, escolheu dois conhecidos na Gávea. Marcos Braz, que é o indicado pelo concorrente Rodolfo Landim para o futebol, e Rodrigo Caetano, contra quem protestou “injustamente”, como hoje diz, reforçando que a mudança de perfil passa pela postura exigida em outro elenco a partir de seu comando.

O candidato acredita que a gestão atual não tem um alma rubro-negra, não tem DNA de Flamengo e por desconhecimento, não contrata jogadores do perfil flamenguista:

“No Flamengo contratam jogadores que os empresários indicam. O Fernando Gonçalves, que já foi da Traffic, indicava os jogadores. O Lomba vai e contrata. Não é desonestidade. É desconhecimento. Aí vão e contratam o Vitinho por um preço absurdo. O cara estava na Rússia e pagaram mais de R$ 40 milhões. Um absurdo. Essa diretoria errou tudo o que envolve futebol. Aí colocam a culpa no Rodrigo Caetano. ” E ainda afirma:

“Vou colocar treino na Gávea todo sábado. Pior cobrança não é do presidente, é da torcida. Tem que ter comando, o que hoje não tem. Hoje quem comanda são os jogadores. Porque o Lomba naquela atitude com o Caetano (quanto foi demitido) ele perdeu a moral com os jogadores. Eles não o respeitam mais. ”

Para o Remo, o candidato acredita que temos que contratar remadores estrangeiros. No Maracanã, ele pretende renegociar o contrato e colocar o Flamengo como único gestor. Para os sócios proprietários, ele promete prioridade na compra de ingresso:

“O sócio proprietário é patrimônio do clube, tem que ter mais carinho com eles. Representamos um sócio proprietário, o Eduardo Mano, que não é de nenhum grupo político. Sócio torcedor hoje tem prioridade para comprar ingresso, mas o sócio proprietário tem que vir antes. Dois dias antes. Ele é proprietário do clube. Paga R$ 20 mil para ser sócio, manutenção de R$ 135”