Por Rafael Sacharny


O Flamengo tem uma história fantástica recheada de jogadores que viraram ídolos para o torcedor flamenguista. Entre eles, Edvaldo Alves de Santa Rosa, mais conhecido como Dida, se tornou um dos grandes do Mengão ao fazer 350 jogos como meio-campo e anotar 244 gols. Até a chegada de Zico, Dida foi o maior artilheiro da história rubro-negra.

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Nascido em Maceió, Dida iniciou sua carreira no CSA da cidade natal. Durante uma partida entre as seleções de futebol de Alagoas e da Paraíba nesta cidade, foi notado por dirigentes do Flamengo. Convidado para testes no clube, foi aprovado, e se tornaria um ídolo em pouco tempo.

Em 1953, o Flamengo tinha Gilberto Cardoso, como presidente eleito e Fleitas Solich, paraguaio contratado para treinar o time e voltar a ser campeão carioca, o que não acontecia desde o tricampeonato de 1942-43-44.

O treinador trouxe uma nova concepção de futebol, mais ágil, solidário, sem lugar para virtuosismo de bola presa. Mais leve e moderno, Solich buscou nos juvenis, jogadores que se encaixariam no seu estilo de jogo. E assim, revelou Dida, Zagallo, Evaristo, Paulinho, Duca e Babá. Todos versáteis, que sabiam se deslocar, tinham o faro de gol e podiam ser escalados em qualquer posição do ataque. 

Com eles, o Flamengo foi de novo tricampeão carioca, em 1953-54-55, o que não era nada fácil. Para se ter uma ideia, o campeonato carioca era um dos mais difíceis e disputados no país. A nata do futebol estava no Rio e todos os clubes, até mesmo os menores, tinham grandes jogadores, muitos da Seleção Brasileira. O Vasco tinha Barbosa, Bellini, Vavá e Pinga. O Fluminense tinha Castilho, Telê e Didi. O Botafogo contava com Nilton Santos, Garrincha e Quarentinha.

Dida e Garrincha conversam no gramado do Maracanã antes de um Flamengo x Botafogo.

Dida conseguiu se destacar naquela época e foi herói do segundo tricampeonato do Flamengo, na noite de 4 de abril de 1956. Sim, os campeonatos eram tão longos que começavam em um ano e terminavam no outro. O de 1955, portanto, terminou só em abril do ano seguinte. O Mais Querido foi à decisão melhor de três contra o América, e depois de vencer a primeira partida por 1 a 0, perdera a segunda por inesperáveis 5 a 1.

A grande final foi levada ao terceiro jogo e chamou a atenção de todos no país. Juscelino Kubitschek esteve na tribuna de honra do Maracanã, em sua primeira aparição pública desde que empossado presidente, e viu o Flamengo golear por 4 a 1, com um gol de Evaristo e três do garoto Dida, de apenas 21 anos.

Até 1963, Dida continuou no Flamengo marcando seus gols de todo jeito: de direita, de canhota, de cabeça, de letra, de calcanhar, de peito até de bunda. Desfilou pelos gramados da Gávea e do Maracanã, controlando a bola em alta velocidade, se movimentando na área, mostrando senso de oportunidade e finalizando com os dois pés com extrema facilidade.

Dessa forma, Dida foi o grande ídolo do Flamengo entre 1955 e 1963. Neste meio tempo, o meio-campista foi chamado para a Seleção Brasileira diversas vezes e foi campeão do mundo em 1958, na Suécia. Antes daquela Copa do Mundo, Dida era o titular e Pelé, reserva. Na primeira partida na Suécia, enfrentando a seleção da Áustria, Dida teria ido mal e não jogou mais. Pelé entrou contra a Rússia e o resto é História.

O ídolo da década de 50 e herói do segundo tricampeonato rubro-negro virou referência para muitos que começavam a acompanhar o futebol naquela época. O número da camisa de Dida no Flamengo era a 10, e considerando que as camisas de futebol com número nas costas eram uma novidade no futebol brasileiro, pode-se dizer que Dida foi o primeiro “camisa 10” famoso do futebol nacional, claro, antes de Pelé. 

Dida fez tantos gols que influenciou também o maior ídolo da história do Flamengo. Segundo o próprio Zico, a terceira palavra que aprendeu depois de ‘Mãe’ e ‘Pai’, foi ‘Dida’, e vestir a camisa dez do ídolo rubro-negro virou o grande sonho do garoto nascido em Quintino.